Fonte: Centro de Oncolologia e Hematologia do Einstein

Embora a incidência dos tumores gástricos apresente uma redução significativa nas últimas décadas, eles constituem o segundo tumor maligno mais frequente no mundo todo. O número de pessoas que desenvolvem câncer de estômago é bastante alto no Japão, Chile, Leste Europeu, América do Sul e América Central. É a principal causa de morte por câncer em muitos destes países.

O que é

O câncer de estômago ou câncer gástrico se caracteriza pelo crescimento desordenado das células que compõem a parede do órgão.

A maioria dos tumores gástricos ocorre em algum ponto da camada de revestimento interna do estômago e aparece como uma lesão elevada, irregular, de milímetros de diâmetro, muitas vezes ulcerada, lembrando uma verruga com uma pequena cratera em seu ponto mais alto. A ulceração é o resultado da multiplicação celular descontrolada, característica de câncer ou tumores malignos. Estas células anormais vão substituindo o tecido normal e podem invadir outras camadas do próprio estômago e alcançar órgãos vizinhos por contiguidade.

Sintomas

Algumas características como perda de peso, anorexia, fadiga, vômitos, náuseas e desconforto abdominal persistente podem indicar um tumor benigno ou mesmo o câncer de estômago. É importante destacar que o vômito com sangue é um sintoma frequente e ocorre em aproximadamente 13% dos casos de tumores malignos de estômago.

Os sintomas mais comuns do câncer de estômago são: sensação de inchaço no estômago após as refeições ou sensação precoce de satisfação durante as refeições, desconforto abdominal, dor abdominal tipo úlcera e azia forte, náuseas e vômitos, perda do apetite, indigestão ou queimação periódica, diarreia, fraqueza e fadiga, perda de peso não intencional, vômitos com sangue, evacuação de fezes escurecidas, pastosas e com odor muito forte.

Em estágios mais avançados do câncer de estômago, pode haver emagrecimento severo, icterícia (olhos amarelos) e palidez da pele.

Diagnóstico

O exame que inicia o processo de investigação de uma queixa digestiva que culmina no diagnóstico de câncer gástrico é a endoscopia digestiva alta que, além de visualizar as características e dimensões do tumor, permite a realização da biópsia para análise, colaborando no planejamento cirúrgico.

Confirmado o diagnóstico de câncer, o próximo passo é definir o grau de extensão local da doença e se houve disseminação (metástases a distância) a partir da tomografia computadorizada de abdome e tórax. Outros exames, como a ressonância nuclear magnética e a eco-endoscopia, apenas são solicitados em casos em que a caracterização da extensão da doença não fora bem definida pela endoscopia e tomografia.

Tratamento

O tratamento do câncer gástrico é divido em duas modalidades: curativo e paliativo. O tratamento curativo tem como seu principal elemento a cirurgia de remoção do tumor. Tal cirurgia pode ir desde a retirada do tumor por via endoscópica até a remoção parcial ou completa do estômago (gastrectomia parcial ou total).

Vale ressaltar que a retirada dos gânglios linfáticos (órgãos que consistem de vários tipos de células e são parte do sistema linfático) integra a cirurgia de retirada do estômago, cujo objetivo é determinar se há células malignas nestes linfonodos, pois implica modificações no tratamento, e a sua consequente remoção caso estejam comprometidos.

A radioterapia e ou quimioterapia junto à cirurgia compõem a terapia com intuito curativo, dependendo, sobretudo, do estágio do tumor. Taxas de cura de 60% a 70% são obtidas em pacientes com doença localizada utilizando as medidas de terapia citadas.

O tratamento paliativo é oferecido a pacientes em algumas situações:

  • com tumores não passíveis de remoção;
  • com condições clínicas que impedem a realização da cirurgia curativa;
  • com doença metastática.

A terapia paliativa é composta por quimioterapia e radioterapia, indicadas de acordo com a forma de apresentação da doença.

Fatores de risco

Os dois mais importantes fatores de risco para o desenvolvimento de câncer gástrico é a infecção pela Helicobacter Pylori – bactéria presente na mucosa gástrica de mais da metade da população mundial que ocasiona inflamação resultando em lesões pré-malignas – e presença de histórico familiar para câncer de estômago (este podendo aumentar em até cinco vezes o risco de câncer). Outros fatores de risco são obesidade, dieta pobre em frutas e verduras, tabagismo e cirurgia gástrica prévia.

Prevenção

É fundamental uma dieta balanceada composta de vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras. Além disso, é importante o combate ao tabagismo e a diminuição da ingestão de bebidas alcoólicas. Ao sentir sintomas digestivos como dor de estômago, saciedade precoce ou vômitos, inclusive hemorrágicos, deve-se procurar imediatamente assistência médica.

Este tipo de câncer apresenta prognóstico ruim, quando é diagnosticado em estágios mais avançados e em pessoas mais velhas. Por isto, pessoas que pertençam a qualquer um desses grupos de risco descritos acima devem consultar o médico e realizar um acompanhamento para avaliação de riscos e solicitação de exames de prevenção.

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